terça-feira, 22 de abril de 2014

A decisão de voltar ao trabalho

Eu tenho toda a convicção de que lugar de criança pequena é ao lado de um dos pais. Geralmente a tarefa fica a cargo da mãe pois é ela quem produz o alimento que irá tornar possível o desenvolvimento desta nova vida. Mas, tirando a amamentação, nada que um homem não possa desempenhar.

Dito isto, vamos aos fatos.

Eu pude ficar um tempo em casa cuidando da construção da saúde, dos valores, do caráter, da ética e da moral do meu filho mais velho enquanto meu marido trabalhava para que tivéssemos onde morar, o que vestir e o que comer. Sofri com a possibilidade de precisar me separar, principalmente do Artur, após o combo licença maternidade + férias. Rezei para que conseguíssemos viver bem sem a minha grana. E conseguimos! Mas a certa altura comecei a me sentir culpada por estar “só” cuidando da criança. Como se não fosse possível ir de skate até Júpiter depois disso!

E eu comecei a elucubrar possibilidades além lar! Algo me impelia a isto.

Eu não sou de ficar choramingando pelos cantos, e quando algo tem que ser feito eu vou lá e faço logo de uma vez. Mas, quando, após avaliar algumas possibilidades, decidi voltar ao trabalho fora de casa, foi um tsunami emocional. Todos os dias sentia alegria, tristeza, saudade, satisfação, realização, culpa, preocupação, ansiedade, medo, vontade se sair correndo, vontade de voltar no tempo, vontade de avançar no tempo, vontade de fazer tudo diferente e dúvida, muita dúvida!

Vale falar que também não acredito que a qualidade do tempo gasto com os filhos substitui a quantidade. Balela! Filho precisa aprender com o seu exemplo, precisa de repetição, de consistência. Nem venha pra cima de mim com 60 minutos diários de dedicação de qualidade, argh!

Por isso, meu retorno ao trabalho, apesar de ser em expediente reduzido, mexeu muito comigo. Todos os dias, luto com meus monstrinhos internos para poder seguir com meus vários papeis. Amo ficar com as crianças (o que faço todas as manhãs), mas também amo meu trabalho fora de casa (de segunda a sexta, das 13h30 as 17h30)! Sair um pouco oxigena meu cérebro. Permite que eu encare com novas perspectivas os problemas domésticos e me torna uma mulher mentalmente mais saudável.

Tem momento certo para fazer isso? Não. E o que foi o meu momento certamente pode não ser o seu. Mas, se no balanço geral das coisas, o saldo percebido por você, por seu filho e seu marido for positivo, está tudo no caminho certo.

E minha cabeça se aquietou depois que voltei a dar expediente fora de casa? Nada!  Muitas vezes me pego suspirando por outra vida. Morar numa casinha bem simples, numa praia qualquer, só pra poder ficar sendo mãe em tempo integral. Imagino os meninos correndo, sujos de areia, com seus shorts de malha, pescando e sabendo que eu sempre estarei ali...

5 comentários:

Renata Sguissardi Rosa disse...

Hhahaha, ai amiga, fiquei imaginando vc deixar os meninos correrem de shorts na praia todo sujos. Será? O fato é que nós temos uma tendência de achar que a "grama do vizinho" é mais verde. E também é da nossa natureza questionar o tempo todo se estamos fazendo o certo, o melhor etc. O fato é que fazemos o que podemos e com certeza os pequenos são gratos pelas nossas multi funções. Beijos.

Paula Bertoli disse...

Ai Rê, será que não ia rolar? Uma das maiores descobertas da maternidade é que a felicidade não custa nada! Enfim, o que seria de nós mulheres se não questionássemos nossas decisões o tempo todo? Beijo!

Melissa disse...

Paula essa dúvida todas temos, ainda mais qdo trabalhávamos antes da maternidade e vislumbrávamos uma carreira brilhante!
Acho um pouco da culpa é o estereótipo da mulher moderna, independente, emocional e financeiramente, diga-se de passagem.....
O assumir o modelo antigo, papai trabalhando, mamãe de avental e filhinhos lindos e rosados, as vezes é complicado, constrangedor, para nós mulheres modernas, mas ao mesmo tempo qdo tomamos a decisão de ficar em casa, alguma coisa acontece com o nossa cabeça qdo a galera esta na escola.
Opa! Opa! Quem disse que ter família não dá trabalho........kkkkkk!!!!,
BJS.

Débora Paula disse...

A parte mais difícil da maternidade com certeza é esta... voltar ou não ao trabalho! E concordo que mesmo voltando as dúvidas ainda existem... será que fiz a coisa certa?
Não me arrependo mas penso no tempo que deixo de passar com minha filha e essa será uma incógnita. O fato é que eles crescem e criam asas. Se não fosse nosso trabalho ficaríamos chupando o dedo.

Paula Bertoli disse...

Melissa, e quem disse que gostamos de coisas fáceis? kkk!