sábado, 19 de abril de 2014

Sentimentos de um garotinho de 5 anos


Artur é um garoto muito sensível. Uma sensibilidade que às vezes causa estranhamento e dificuldade de encontrar soluções possíveis no dia a dia. Desde bebê sempre detestou barulhos de qualquer ordem, como a maioria dos bebês. Sua pele, delicada, fica facilmente irritada. Seus sentimentos são sempre a flor da pele. Reclama da textura dos tecidos, da costura, da etiqueta, do formato das meias e das palmilhas dos tênis. Tudo precisa vestir perfeita e confortavelmente para que ele concorde, por exemplo, em permanecer vestido. Ele é assim desde que consegue se expressar e desde então eu espero que isso passe. Mas não vai passar.

Mais recentemente tenho observado como ele se ressente com discussões e vozes alteradas à sua volta. Quando o “tom elevado” não é com ele,  ele se envolve na situação como se fosse. Hoje mesmo ele foi com o pai até a casa dos avós e voltou dizendo: “A vovó estava normal, mas o vovô ficou falando daquele jeito que eu não gosto com o papai. Isso me dá medo”. Eu: “Como assim do jeito que você não gosta”? Ele: “Parecia que estavam brigando, mas é o jeito deles conversarem, em voz alta”. E o mais engraçado é que o Artur não é um menino comedido e delicado. É um garoto bem moleque, que fala alto, gesticula bastante, é meio desengonçado! Ele mesmo frequentemente é repreendido em casa por conta do tom de voz adotado e pelas brincadeiras perigosas. Apesar disso, agora entendo que presenciar qualquer tipo de conversa, ou tratamento, mais ríspido deixam ele profundamente abalado. Dói em sua sensível alma de ser humano em construção.  E é por isso que eu sei que não vai passar.

Não vai passar porque ele é diferente de mim. Ele reclama porque realmente incomoda, e não importa quantas vezes eu saia com ele descalço de casa, ele não vai aprender a lição e deixar pra lá. Não é possível que ele dramatize tão bem a ponto de não ter se traído desde o berço. Estou convencida de que o que eu chamo de “manias bobas” são cuidados essenciais para que ele possa viver plenamente sua infância. Mas, vamos combinar que em meio à correria diária, ninguém quer discutir a textura do tecido do uniforme 5  minutos antes do horário limite para a escola, né?  Quem tem que aprender a lição, investir tempo e sensibilidade nas necessidades específicas deste menino, sou eu. Afinal, não acredito que ele seja meu filho a toa. Temos muito a ensinar um ao outro. 

Nenhum comentário: