sábado, 24 de maio de 2014

Não dou conta de tudo


Sou casada, tenho dois filhos, trabalho em casa e fora de casa, cuido do que a família come, do que a família consome, todos mantêm amigos, hobbies, lazer... E não, não dou conta de tudo! Talvez quem olhe de fora ache que tudo dá certo conosco. De fato temos muitas coisas que funcionam e que merecem minha eterna gratidão. Mas, temos uma infinidade de falhas por conta da minha agenda recheada e impossível de cumprir.

Pra começo de história dou conta, praticamente sozinha, do transporte familiar. Além disso, fazemos todas as refeições em casa, então tenho que dar conta, ao menos, de comprar insumos frescos e saborosos para que a abençoada Teresa prepare nosso alimento. A organização da casa está sob minha jurisdição também. Ainda não consegui desapegar de guardar cada meia com o calcanhar virado para o lado esquerdo, cada camiseta em seu lugar da pilha (da sua palheta de cores), cada calça com o cós virado para a direita... isso tudo vezes 4! Tem também o ritual das refeições, que faço questão de participar com os meninos, já que o pai (na maioria das vezes) não consegue. Decidimos juntos que, durante a semana, não ligaríamos a TV em casa. Isso melhorou a convivência e enriqueceu nosso repertório de experiências familiares, mas, exige de mim ainda mais. Gosto de ler história antes dos garotos dormirem e de ler o meu livro depois que eles dormem.

E o trabalho fora de casa é outro universo a desbravar, preciso deixar que as informações e as notícias entrem. Preciso saber o que está acontecendo fora dos meus domínios. Preciso alargar meus domínios! O universo é assessoria de imprensa. Isso inclui não descuidar dos clientes e da mídia. Não deixar passar oportunidades e ameaças. Analisar cenários com cautela, administrar pessoas e entregar valor para a empresa.

E como dou conta das minhas necessidades de mulher, mãe, esposa, amiga, profissional? É simples, deixo a desejar em tudo. Não consigo ser 100% no que eu me proponho fazer. Vivo me perguntando por que mais isso? Por que mais aquilo? Quando foi mesmo que eu tive a impressão de que poderia me comprometer com tanta coisa? Não sei. Mas já que assumi, firmei um compromisso comigo mesma, vou em frente.

Já saí de casa para uma reunião de trabalho na hora de deixar o Artur na escola e fui para a escola. Chegando na escola percebi que o Artur não estava comigo no carro e que o compromisso era outro.

Já saí atrasada, aos trancos e barrancos, para deixar o filho na escola e deixei a mochila na garagem do prédio. Chegando na escola, choro e frustração da criança porque iria ficar sem lanche. Eu, culpada, voltei em casa peguei a mochila, deixei na escola e cheguei ainda mais atrasada no trabalho.

Já trabalhei demais e perdi a saída da escola.

Já levei filho em evento profissional à noite e ele dormiu no chão de um auditório lotado.

Já coloquei comida no fogo, fui dar banho no bebê, trocar, dar mamadeira, fazer dormir e percebi que havia alguma coisa errada na cozinha.

Já perdi a hora do remédio, da pediatra, da dentista, do aniversário, da reunião, do almoço e de um sem-fim de coisas.

Sei o dia do meu aniversário de casamento, frequentemente penso em fazer algo especial, mas quando me dou conta o dia é hoje e não fiz nada.

Já combinei saídas com os amigos e simplesmente não apareci porque não deu. Ou alguém adoeceu, ou não consegui alguém para olhar os meninos, ou trabalhei demais, ou me meti em algo e não consegui sair.


E a vida não pára, não espera, ela vive.  Ora entrego mais do que imaginei ser possível, ora entrego menos. Já fui bem mais exigente comigo mesma. Hoje vivo um dia de cada vez. E sigo com objetivo de não perder o bom-humor e jamais deixar de rir de mim mesma! 

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