sábado, 10 de maio de 2014

O que é melhor?


Hoje fiquei chocada com uma afirmação do Artur. Ele me disse: “mãe, quero que a minha lição de casa seja a melhor de todas!” Eu pedi para ele repetir, achei que não tinha escutado direito, e ele repetiu. Foi o que bastou para eu pensar: onde foi que eu errei desta vez?

Mas logo tentei encontrar outra vítima e perguntei se a professora falava que alguma lição de casa era “a melhor”. Ele, meio sem dar importância para o meu interrogatório, disse que não. Eu insisti perguntando por que ele estava falando aquilo. Ele respondeu que gostava de ser melhor que os outros, de vez em quando. Aquele de vez em quando não me caiu bem.

Não costumamos competir em casa e tento sempre valorizar o esforço de cada um, dentro das suas possibilidades.

Mas ele se compara aos outros.

Escolhi uma escola que procura não classificar os alunos, não confere notas ou conceitos às suas atividades.

Mas ele quer ser melhor. E, pior, se sente bem quando acha que é melhor.

Recapitulei um velho discurso que entoo aqui em casa quando a plateia não evade. Comecei falando que o melhor é relativo, que eu gosto que ele se preocupe em fazer o melhor que pode. Mas é o melhor do Artur, e não o melhor do João, do Pedro, do Mário ou da Ana! Todo mundo tem capacidade de fazer melhor, todos os dias. É isso que deve nos impulsionar, o nosso melhor, não um melhor impossível. Porque o melhor do outro é, muitas vezes, inalcançável para nós. E se comparar a outra vida, outra história, outro caminho, outra forma é certeza de frustração.

Se o sol tentasse ser mar, morreria fracassado e toda a vida na terra não seria mais possível. Se o trovão sonhasse ser a mais bela flor que há, sua existência seria triste e acabaria por perder o sentido. Se as nuvens almejarem se transformar em mata fechada, por mais que se dediquem e esforcem, não conseguirão transpor suas forças formadoras, acabarão derrotadas.


Ele ouviu tudinho, mas eu não tinha certeza de que estivesse realmente ali... Porém, sua  conclusão coroou meu esforço. “Mãe, eu fiz o meu melhor, você acha que está bom, ou da próxima vez ainda consigo melhorar?” Olhei com atenção o desenho, deixei que me explicasse a lógica empregada, depois li o texto e perguntei se ele estava satisfeito com o que tinha feito. Ele respondeu que sim. Eu sorri e disse “que bom, você ainda tem muito a melhorar”! 

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