segunda-feira, 12 de maio de 2014

Sono


Desde que me conheço por gente, sempre gostei de dormir. Criança, tinha medo do escuro e de ficar sozinha à noite, frequentei o quarto dos meus pais todas as noites, fielmente, até os nove anos. Lembro com saudades das sonecas depois do almoço com o meu pai, de chupar o dedo e enrolar o cabelo para dormir, da oração na cama que precedia o torpor noturno, de acordar cedo pra ir pra escola e dar uma cochilada no banheiro para escapar dos olhos atentos da minha mãe...

Já mais crescida, 11/12 anos, dormia todo o tempo livre. Tinha uma agenda de adolescente com escola + inglês + natação + dança + alguma coisa da moda. Mas, quando ficava em casa, dormia.

Lá pelos 15 anos comecei a ter permissão para umas saidinhas noturnas, no final de semana, e adivinha? Passava os dias dormindo! Aliás, ô fase da vida que dá sono essa.

Veio a faculdade, minhas aulas eram de manhã, iniciavam às 7h30. Eu tinha que ir pra universidade de ônibus, saia de casa muito cedo.  À tarde precisava dormir antes de conseguir começar a raciocinar novamente.

Quando comecei a trabalhar tive que me adaptar a não ter um sono reparador no meio do dia e foi muito difícil. Aumentei o número de horas dormidas à noite, foi o jeito.

Os filhos nasceram e dormir virou artigo de luxo. Nunca descansei tão pouco na vida! A qualidade do desacordar mudou, não consegui mais atingir o estágio “sono profundo”, estou sempre na superfície. É verdade que os anos iniciais dos filhos são os mais tensos, com solicitação materna frequente. Quando o Artur fez 1 ano e 6 meses ele foi passar um final de semana na casa da minha mãe, dormi 16 horas seguidas. Acho que se ele não tivesse ido naquele momento, eu poderia não estar mais aqui!

Agora chegou a vez do Francisco. Já com 1 ano, está acordando a noite e demorando muito para voltar a dormir. O que não era uma característica sua está fazendo voltar à tona aqui em casa todos os sintomas que a falta de sono traz: irritabilidade alta, dor de cabeça, dores no corpo, falhas de memória, lentidão de raciocínio, a sensação de que algo está errado...


Torcendo para que seja só uma fase, faço malabarismos para que seu choro estridente não acorde o irmão. E, assim como já fui ninada e confortada, sigo embalando e acarinhando para que consigamos, juntos, superar mais esta etapa do crescimento. Sem saber por quanto tempo vou aguentar e, contando com a ajuda do maridão que costuma encarar o primeiro turno da madrugada com bravura. Fico feliz por cumprir – do jeito que dá – todos os meus papeis!  Só por hoje, um dia de cada vez...

Nenhum comentário: