domingo, 31 de agosto de 2014

Sem pressa de crescer


Vamos aos fatos. Eu tirei o Artur (6) com diagnóstico de superdotação do 1º ano e matriculei novamente no jardim de infância. Estudei, pesquisei, perguntei, investiguei, li inúmeros autores, conversei com os especialistas disponíveis e decidi: é o melhor que eu posso fazer pelo meu filho.

Afinal de que adianta saber javanês e não saber ser cortês?

Pra que deduzir a tabuada e deixar a sala de jantar toda lambuzada?

Longas histórias ele sabe de memória, mas, pular corda? Que missão inglória...

Fazer uma refeição inteirinha sentado chega a ser um atentado. Não pensem que ele nunca foi amarrado!

Virar estrelinha, escalar os batentes das portas e tomar chá sem açúcar, aqui em casa são comemorados como grande conquista! Já, saber o nome das batalhas da 1ª guerra mundial, achamos coisa de ventriloquista!

Com o Artur as dificuldades são porque ele ainda não teve chance de aquietar sua mente, de canalizar toda sua energia, de brincar, brincar, brincar, até cansar. Se informação eu não tivesse, ritalina seria artigo de grande benesse.

A infância é agora, a época de construir alicerces é hoje! Quem tem sensibilidade e intimidade para perceber do que um filho precisa é a família.

Sendo assim, olhamos para o que está faltando, não para o que está sobrando.

E assim vamos remando, clichê dos clichês, contra a maré! Tendo que dar explicação – absurdo máximo! – porque optamos por deixar que o Artur tenha sua infância no tempo dele. Para que aos 6 anos sua tarefa mais árdua seja escalar a copa mais alta, da árvore mais esguia do jardim.

Harvard continuará sendo Harvard daqui 15, 17 ou 19 anos.  Não temos pressa de vê-lo sentado em uma de suas cadeiras. Só queremos contribuir para que quando ele estiver lá, não quebre toda sua mobília histórica.

Tenho certeza de que dessa mente fértil e resiliente brotará um corpo ágil e de movimentos harmoniosos. Estou pronta para assistir a isso, sem pressa, sem ansiedade, assim que meu filho estiver pronto.

E assim a vida segue, no seu tempo, no seu ritmo. Às vezes me parece apressada demais, me atropela e me deixa descabelada. Outras vezes me parece lenta demais, e eu tento empurrá-la, mas ela é pesadíssima. 

Tudo isso para me mostrar que um sou só uma forma de vida e não tenho que impor compasso à vida!


Um comentário:

M.L disse...

Gostei muito de suas afições equilibradas com relação ao caminhar de seu filho.