quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Há vida depois do antidepressivo, ou, a vida depois do antidepressivo


Já contei aqui que tive depressão pós stress, pós parto, pós whatever... Enfim, o fato é que foi trash e não titubeei em começar a me drogar! A psiquiatra disse que eu precisaria de remédio e eu só não voei até a farmácia porque estava meio letárgica na época.

Faz 1 ano e meio. Parece que foi ontem, mas já faz 18 meses, ohh God! O fato é que desde o início encarei a medicação como necessária, mas temporária. Assim que os neurônios tivessem reaprendido o caminho das sinapses, eu deixaria o remédio à disposição de quem estivesse precisando, nas farmácias.

Passado o período crítico, uns 6 meses mais ou menos, comecei a questionar seriamente a necessidade de manter a medicação. Fiz testes com doses menores, consultei outros médicos. Na verdade eu estava procurando alguém que falasse o que eu queria ouvir. Como profissional da comunicação, sabia que se procurasse direitinho, acharia. E achei.

Foi um neurologista muito competente e muito paciente. Ele me deixou totalmente livre para interromper a medicação. Não sem me aconselhar a continuar, dizendo que criança pequena enlouquece qualquer um, que a carga da mulher é muito pesada, que se fosse eu não interromperia o tratamento. Me forneceu, inclusive, uma vasta literatura sobre os benefícios da sertralina – a droga em questão – para o cérebro a longo prazo.

Entendi tudo. Mas, tomar uma medicação diariamente, apenas para aguentar o fardo da vida, me parecia um pouco herege. E, no fim das contas, para que blindar o meu cérebro por 150 anos se o resto do corpo perecerá antes disso? Aconteceu que decidi parar e parei! Sem falar para ninguém, sem perguntar opinião alheia, sem consultar o oráculo, parei.

Após três dias sem a tal sertralina no meu organismo comecei a sentir a diferença. Vou tentar explicar como foi. Parece que eu estava adormecida e acordei. Parece que eu estava vendo tudo com um véu de amenidade e harmonia e este véu foi rasgado. Parece que os gritos das crianças eram abafados por paredes antiacústicas e as paredes vieram abaixo. Eu voltei a ver o mundo com olhos, ouvidos, pele e tudo o mais como antes da depressão.

Fiquei muito feliz! Muito mais irritada, mais a flor da pele e mais explosiva, mas também muito mais colorida, verdadeira, real! Ouvi gritos e lamúrias de protesto do marido, dos familiares e dos amigos mais chegados, mas eu estava tão feliz que não me importei. Os primeiros dois meses sem o remédio foram de adaptação. Passei de doce e meiga a ácida e fumegante!


Agora, faz uns 4 meses que estou sem o remédio, sinto que voltei ao meu eixo. Nem tão complacente, nem tão irritadiça. Só me equilibrando entre os 372 papéis que as mulheres impõem a si mesmas nos dias de hoje. Apenas eu, real, possível, viva, limpa!

Nenhum comentário: